Questão resolvida do TEME (Q01-2024)

2024 - Questão 01: Considerando as características metabólicas e funcionais dos tipos de fibras musculares, um treinador de atletismo está planejando um programa de treinamento específico para um corredor de 100 metros rasos. Com base nessas informações, o treinamento deve focar qual tipo de fibra muscular do atleta, para maximizar seu desempenho nessa prova?

a) Fibras de contração lenta, Tipo I – Predominantemente aeróbias, com alta

capacidade de resistência e produção de energia via fosforilação oxidativa

b) Fibras de contração rápida, Tipo IIa – Aeróbias e anaeróbias, versáteis, com

capacidade moderada de resistência e produção de energia, tanto via fosforilação

oxidativa quanto pela glicólise anaeróbia

c) Fibras de contração rápida, Tipo IIb (também conhecidas como Tipo IIx) –

Predominantemente anaeróbias, com baixa capacidade de produção energética,

mas alta potência de ressíntese de ATP, via sistema do fosfagênio

d) Uma combinação igual de fibras Tipo I e Tipo IIx, para equilibrar resistência e

potência

e) Fibras Tipo IIa, pois oferecem o melhor equilíbrio entre velocidade e resistência,

para esse tipo de prova

Resposta correta:

Letra C – Fibras de contração rápida, Tipo IIb (também conhecidas como Tipo IIx).

Comentários sobre cada alternativa:

(C) Fibras de contração rápida, Tipo IIb (ou IIx) – Essas fibras são as mais adequadas para provas de curta duração e alta intensidade, como os 100 metros rasos. Elas possuem alta capacidade de produção de força e potência, porém fadigam rapidamente, pois utilizam predominantemente o sistema anaeróbio alático (ATP-CP) para gerar energia.

(A) Fibras de contração lenta, Tipo I – Embora essas fibras tenham alta resistência à fadiga e utilizem o metabolismo aeróbico, elas não são ideais para provas de velocidade. São mais adequadas para esportes de longa duração, como maratonas, devido à sua menor capacidade de gerar potência explosiva.

(B) Fibras de contração rápida, Tipo IIa – Essas fibras são intermediárias, tendo um equilíbrio entre metabolismo aeróbio e anaeróbio. Elas são importantes em esportes como meio-fundo e provas de resistência intermitente, mas não fornecem a explosão de potência necessária para o sprint de 100 metros.

(D) Uma combinação igual de fibras Tipo I e Tipo IIx – Embora uma mistura de fibras possa ser útil para diversas modalidades, para os 100 metros rasos, a predominância de fibras Tipo IIx é essencial. O equilíbrio entre resistência e potência não é a melhor estratégia para uma prova tão curta.

(E) Fibras Tipo IIa – Apesar de possuírem boa velocidade e resistência, as fibras IIa não são as mais explosivas. Para máxima performance nos 100 metros, é necessário treinar e estimular as fibras mais rápidas (Tipo IIx).

Resumo do tema:

As fibras musculares se dividem em Tipo I (contração lenta, aeróbias, resistentes à fadiga) e Tipo II (contração rápida, anaeróbias, mais potentes e menos resistentes). Dentro das fibras rápidas, há as Tipo IIa (intermediárias, aeróbias e anaeróbias) e as Tipo IIx (ou IIb), que são as mais explosivas, mas fadigam rapidamente.

Nos 100 metros rasos, a demanda energética vem do sistema ATP-CP (sistema dos fosfagênios), que depende das fibras Tipo IIx. O treinamento para velocistas deve focar no desenvolvimento da potência, velocidade e coordenação neuromuscular dessas fibras, além da técnica de corrida.

 

 

 

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Medicina do Esporte

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Dr. Guilherme Adami

Sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, residente em Medicina do Esporte pelo HCFMUSP, e atuo no atendimento de atletas amadores, profissionais e pacientes que buscam evolução física com segurança, estratégia e base científica sólida.

Minha prática é centrada na integração entre emagrecimento, hipertrofia, performance esportiva e cardiologia do exercício, sempre com abordagem individualizada e fundamentada em evidência de alto nível.

Além da atuação clínica, sou fundador da MedEsporte Papers, uma das plataformas educacionais mais completas em Medicina do Esporte no Brasil, reunindo cursos, materiais técnicos, revisões científicas e atualizações constantes para médicos e profissionais da saúde. A proposta é clara: elevar o nível da prática esportiva baseada em evidência.

Minha experiência inclui atuação em modalidades como futebol, endurance e alto rendimento paralímpico, com vivência direta em competições nacionais e internacionais. Essa experiência prática em campo — somada à formação acadêmica — permite decisões clínicas mais precisas, estratégicas e seguras.

Atendo desde indivíduos que desejam melhorar composição corporal até atletas de alto nível que precisam otimizar cada detalhe da performance.

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