Questão resolvida do TEME (Q02-2024)

2024 - Questão 02: Com relação aos Sistemas de Ressíntese de adenosina trifosfato (ATP), podemos afirmar que:

a) O Sistema Anaeróbio Alático é o que possui a maior potência e a menor capacidade
de produção de ATP
b) O Sistema Anaeróbio Lático é o que possui a menor potência e a maior capacidade
de produção de ATP
c) O Sistema Aeróbio é o que possui a maior potência e a maior capacidade de
produção de ATP
d) O Sistema Anaeróbio Lático, através de seu produto final, o ácido lático, é o
causador da acidose observada em exercícios físicos e consequente aparecimento
de fadiga
e) Todas as alternativas acima estão incorretas

Resposta correta:

Letra A – O Sistema Anaeróbio Alático é o que possui a maior potência e a menor capacidade de produção de ATP.


Comentários sobre cada alternativa:

(A) O Sistema Anaeróbio Alático é o que possui a maior potência e a menor capacidade de produção de ATP.
Correto! O sistema dos fosfagênios (ATP-CP) é o mais rápido na ressíntese de ATP, fornecendo energia de forma explosiva. No entanto, sua capacidade é muito limitada, pois a reserva de fosfocreatina nos músculos se esgota rapidamente (dura cerca de 8 a 12 segundos em máxima intensidade).

(B) O Sistema Anaeróbio Lático é o que possui a menor potência e a maior capacidade de produção de ATP.
Errado. O sistema anaeróbio lático (glicólise anaeróbia) tem potência intermediária: gera ATP mais lentamente que o sistema ATP-CP, mas mais rápido que o sistema aeróbio. Além disso, sua capacidade de produção de ATP é moderada, não a maior de todas.

(C) O Sistema Aeróbio é o que possui a maior potência e a maior capacidade de produção de ATP.
Errado. O sistema aeróbio tem a maior capacidade de produção de ATP (porque usa fontes energéticas abundantes como glicose e ácidos graxos), mas a menor potência, pois é mais lento devido à necessidade de oxigênio para gerar energia.

(D) O Sistema Anaeróbio Lático, através de seu produto final, o ácido lático, é o causador da acidose observada em exercícios físicos e consequente aparecimento de fadiga.
Esse é um mito comum. O ácido lático se dissocia rapidamente em lactato e íons H⁺, e a acidose é causada principalmente pelo acúmulo de H⁺, não pelo lactato em si. O lactato pode ser reaproveitado pelo fígado (ciclo de Cori) ou mesmo por músculos aeróbicos como fonte de energia.

(E) Todas as alternativas acima estão incorretas.
Errado, pois a alternativa (A) está correta.


Resumo do tema:

Os três principais sistemas de ressíntese de ATP diferem em potência (velocidade de produção) e capacidade (quantidade total de ATP produzido):

1- Sistema Anaeróbio Alático (ATP-CP) – Maior potência ⚡, menor capacidade ⏳. Fornece energia imediata para atividades de curta duração e altíssima intensidade (ex: sprints, levantamento de peso).

2- Sistema Anaeróbio Lático (Glicólise Anaeróbia) – Potência e capacidade intermediárias. Produz ATP rapidamente sem oxigênio, mas acumula H⁺, levando à acidose e fadiga muscular. Importante em atividades de 30s a 2min (ex: 400m rasos).

3-  Sistema Aeróbio – Menor potência, mas maior capacidade. Fornece energia para atividades de longa duração (ex: maratonas), utilizando oxigênio para metabolizar carboidratos e gorduras.

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Medicina do Esporte

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Dr. Guilherme Adami

Sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, residente em Medicina do Esporte pelo HCFMUSP, e atuo no atendimento de atletas amadores, profissionais e pacientes que buscam evolução física com segurança, estratégia e base científica sólida.

Minha prática é centrada na integração entre emagrecimento, hipertrofia, performance esportiva e cardiologia do exercício, sempre com abordagem individualizada e fundamentada em evidência de alto nível.

Além da atuação clínica, sou fundador da MedEsporte Papers, uma das plataformas educacionais mais completas em Medicina do Esporte no Brasil, reunindo cursos, materiais técnicos, revisões científicas e atualizações constantes para médicos e profissionais da saúde. A proposta é clara: elevar o nível da prática esportiva baseada em evidência.

Minha experiência inclui atuação em modalidades como futebol, endurance e alto rendimento paralímpico, com vivência direta em competições nacionais e internacionais. Essa experiência prática em campo — somada à formação acadêmica — permite decisões clínicas mais precisas, estratégicas e seguras.

Atendo desde indivíduos que desejam melhorar composição corporal até atletas de alto nível que precisam otimizar cada detalhe da performance.

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