Qual o Papel do Treino e da Dieta na Síndrome dos Ovários Policísticos?

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma patologia complexa que cursa com alterações menstruais, androgênicas, metabólicas e até infertilidade. Sabemos que múltiplas vias bioquímicas fazem parte da fisiopatologia dessa condição, sendo a resistência insulínica associada à hiperinsulinemia pontos-chave em todo esse mecanismo.

Diante disso, surge o questionamento:

Qual o papel da dieta e atividade física na SOP?

Uma metanálise publicada no ano passado avaliando 54 estudos observacionais envolvendo 39.471 mulheres em idade reprodutiva buscou responder se mulheres com SOP apresentam hábitos alimentares diferentes aquelas sem a patologia.

O resultado encontrado pelos pesquisadores foi que as mulheres portadoras da SOP apresentam uma tendência a uma ingestão alimentar mais pobre, com menor qualidade da sua dieta, apresentando um maior consumo de gordura total, especialmente poli-insaturada, além de menor consumo de vitaminas e minerais, como ácido fólico, magnésio e zinco.

Mas afinal, assim como maus hábitos podem predispor à SOP, o treino e a dieta poderiam auxiliar no tratamento dessa condição?

Para começar a responder essa pergunta, quero te apresentar uma metanálise da Cochrane que buscou entender qual o papel das mudanças de hábito de vida no tratamento da SOP.

A partir da análise dos artigos, os pesquisadores descobriram que uma perda de 5% a 10% do peso já foi suficiente para gerar melhora dos padrões metabólicos, reprodutivos e até mesmo psicológicos (depressão e ansiedade) relacionados à SOP. Além disso, a intervenção no estilo de vida pode melhorar inclusive a questão androgênica presente nessa patologia.

Existem uma série de recomendações em relação ao padrão alimentar ideal em mulheres com SOP. De forma geral, o objetivo é utilizar uma dieta com baixo índice glicêmico que corrobore com a diminuição da resistência à insulina. Uma das alternativas mais estudadas é a dieta cetogênica, com limitação do consumo de carboidratos, sendo uma alternativa eficaz para essas mulheres.

Mas afinal, além da alimentação, a atividade física também pode auxiliar no tratamento da SOP?

Uma metánalise que buscou compreender o papel do treino de alta intensidade no tratamento da SOP nos mostrou que a realização de HITs (90 a 95% da FC máxima), gerou melhora metabólica significativa, cursando com diminuição da resistência à insulina e índice de massa corporal (IMC).

De forma a complementar esses achados, outra metanalise recente evidenciou que atividades físicas intensos, realizados no mínimo 120 minutos por semana auxiliam na melhoria do padrão metabólico, diminuindo a resistência insulínica. Além disso, treinamentos de resistência, como a musculação, no longo prazo, apresentam ainda melhora dos sintomas androgênicos.

Diante de tudo isso, fica claro o papel da mudança de estilo de vida em mulheres com SOP. Comente abaixo se você já teve alguma paciente ou conhece alguém que teve SOP e como a dieta e a atividade física foram incorporadas no tratamento!

Referência

https://doi.org/10.3390/nu13072452

https://doi.org/10.1093/humupd/dmac023

10.1371/journal.pone.0245023

doi:%2010.3389/fphys.2020.00606

10.1002/14651858.CD007506.pub4.

Compartilhe:

Medicina do Esporte

Medicina do Esporte

Dr. Guilherme Adami

Sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, residente em Medicina do Esporte pelo HCFMUSP, e atuo no atendimento de atletas amadores, profissionais e pacientes que buscam evolução física com segurança, estratégia e base científica sólida.

Minha prática é centrada na integração entre emagrecimento, hipertrofia, performance esportiva e cardiologia do exercício, sempre com abordagem individualizada e fundamentada em evidência de alto nível.

Além da atuação clínica, sou fundador da MedEsporte Papers, uma das plataformas educacionais mais completas em Medicina do Esporte no Brasil, reunindo cursos, materiais técnicos, revisões científicas e atualizações constantes para médicos e profissionais da saúde. A proposta é clara: elevar o nível da prática esportiva baseada em evidência.

Minha experiência inclui atuação em modalidades como futebol, endurance e alto rendimento paralímpico, com vivência direta em competições nacionais e internacionais. Essa experiência prática em campo — somada à formação acadêmica — permite decisões clínicas mais precisas, estratégicas e seguras.

Atendo desde indivíduos que desejam melhorar composição corporal até atletas de alto nível que precisam otimizar cada detalhe da performance.

Seja qual for o seu objetivo, a condução será baseada em método, ciência e responsabilidade médica.

Veja a opinião dos meus pacientes!