Contrave

Contrave: a nova medicação aprovada pela ANVISA para o tratamento da obesidade

O Contrave é uma nova opção para o tratamento da obesidade aprovada pela ANVISA. A medicação é uma combinação de Naltrexona e Bupropiona, indicada para adultos obesos ou com sobrepeso e com comorbidades relacionadas ao peso. O uso da medicação deve ser acompanhado de uma dieta hipocalórica e atividade física regular para um controle crônico do peso.

Mecanismo de ação do Contrave

O mecanismo exato da combinação de Naltrexona e Bupropiona que leva à perda de peso não é totalmente compreendido. Acredita-se que a associação entre a N/B atue sinergicamente no hipotálamo e no circuito mesolímbico de dopamina, promovendo maior saciedade, reduzindo a ingestão de alimentos e até mesmo aumentando o gasto de energia.

Indicação do uso do Contrave

O Contrave é indicado para o tratamento da obesidade em adultos obesos (IMC de 30 kg/m2 ou superior) ou adultos com sobrepeso (IMC de 27 kg/m2 ou superior) que tenham pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso (como hipertensão, diabetes tipo 2 ou dislipidemia). Para um controle crônico do peso, a medicação deve ser usada juntamente com uma dieta hipocalórica e atividade física regular.

Como usar o Contrave

A dose inicial recomendada é um comprimido de Contrave de 8mg de Naltrexona associada a 90mg de Bupropiona, tomado pela manhã. Na semana seguinte, um segundo comprimido deve ser adicionado à noite, e a dose deve ser aumentada semanalmente até atingir dois comprimidos duas vezes ao dia, totalizando 32 mg de naltrexona e 360 mg de bupropiona por dia.

Quanto peso pode ser perdido com o Contrave?

Uma meta-análise mostrou que a medicação pode levar a uma perda média de peso de 2,58 kg em um ano em comparação com o placebo. Também ficou evidenciado que o medicamentou aumentou a chance de perder até 10% do peso corporal em um ano em comparação com o placebo

O uso do contrave é seguro?

Em relação a segurança de uso, uma meta-análise realizada que avaliou 19.176 pacientes mostrou que a medicação não esteve associada ao aumento na incidência de grandes eventos adversos cardiovasculares, atuando inclusive na diminuição de alguns marcadores de risco cardíaco.

Apesar disso, o uso de Contrave pode estar associado a outros efeitos colaterais, como náusea, vômito, constipação, dores de cabeça, tonturas, mudanças no humor, ansiedade e pensamentos suicidas. Associado a isso, a N/B é contraindicada para pessoas com histórico de convulsões, uso de IMAO, gravidas, lactentes e pacientes com hipertensão descontrolada.

Conclusão sobre o Contrave

A partir de tudo isso, vemos que, embora o Contrave seja uma nova opção para o tratamento da obesidade, deve-se ter em mente que sua eficácia na perda de peso é modesta, sendo inferior aos análogos de GLP-1, por exemplo.

Já conhecia essa medicação? Então comenta aqui embaixo o que você espera dessa nossa nova opção para o tratamento da obesidade.

Referências

doi: 10.1111 / bcp.14210

 PMID: 26957883 

doi: 10.1002/oby.20309

DOI: 10.1111 / obr.13224

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Medicina do Esporte

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Dr. Guilherme Adami

Sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, residente em Medicina do Esporte pelo HCFMUSP, e atuo no atendimento de atletas amadores, profissionais e pacientes que buscam evolução física com segurança, estratégia e base científica sólida.

Minha prática é centrada na integração entre emagrecimento, hipertrofia, performance esportiva e cardiologia do exercício, sempre com abordagem individualizada e fundamentada em evidência de alto nível.

Além da atuação clínica, sou fundador da MedEsporte Papers, uma das plataformas educacionais mais completas em Medicina do Esporte no Brasil, reunindo cursos, materiais técnicos, revisões científicas e atualizações constantes para médicos e profissionais da saúde. A proposta é clara: elevar o nível da prática esportiva baseada em evidência.

Minha experiência inclui atuação em modalidades como futebol, endurance e alto rendimento paralímpico, com vivência direta em competições nacionais e internacionais. Essa experiência prática em campo — somada à formação acadêmica — permite decisões clínicas mais precisas, estratégicas e seguras.

Atendo desde indivíduos que desejam melhorar composição corporal até atletas de alto nível que precisam otimizar cada detalhe da performance.

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